Gostaria de começar minhas postagens neste blog citando o adágio popular que diz: "De poeta e de louco, todos temos um pouco". Acredito que esse pensamento é verdadeiro para mim mesmo, pois sempre senti esse impulso para escrever poesias e reflexões.
No entanto, acredito que se esses textos não forem compartilhados com o maior número possível de pessoas, serão apenas uma produção solitária e inócua. Devem ser expostos para serem apreciados, criticados, e aperfeiçoados.Nesse sentido, o advento do blog traz uma grande vantagem sobre os livros tradicionais, visto que, em tempo real o escritor pode ter o imediato feedback dos leitores sobre sua produção.
No entanto, não estarei publicando apenas textos meus. Quero compartilhar com o leitor tudo o que me faz sentir bem e que me inspira. E um desses textos, sendo o primeiro dessa série, foi escrito por Mário Quintana, sob o título "Pausa". A razão para isto é que, ao ler esse texto, tão simples, mas tão rico em significados, vi-me a mim mesmo, tanto na qualidade de aprendiz de escritor, quanto na de leitor.
O texto de Mário Quintana, reflete o processo de inspiração e criação, que muitas vezes parte de indagações aparentemente tolas, mas que terminam por evoluir para algo mais significativo. Daí a sensação inquietante de Stechetti: “Io sonno un poeta o sonno um imbecile?”, citado por Mário Quintana.
O fato é que aqueles que se aventuram no mundo da criação poética e literária, às vezes têm essa sensação desconsertante. Acredito, no entanto, que os poetas têm a coragem de fazer ( ou seria um impulso inexplicável?), o que a maioria das pessoas gostaria de fazer ou de ouvir — que é a expressão do que vai pela alma — mas não têm a coragem suficiente, ou a habilidade necessária.
Reforçando essa ideia, reporto-me à observação muito pertinente feita por Giuseppe Ungaretti, citado por Carlos Nejar (2011, p. 30) : "Se quisermos ter um testemunho sincero e precioso do drama e da tragédia de nosso tempo, devemos consultar os poetas. Eles experimentaram o desequilíbrio entre a vida ativa e a vida contemplativa".
Eu iria mais além, e diria: não só de nosso tempo, mas de todos os tempos. Sempre tive essa percepção com relação aos poetas e poetisas.
Referências
NEJAR, Carlos. História da literatura brasileira: da Carta de Caminha aos contemporâneos. São Paulo: Leya, 2011.
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