Uma visita inoportuna




     “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. (2 Coríntios 5.17).

Ontem, à noite, alguém bateu-me à porta.
Perguntei quem era.
Respondeu-me: “sou tua vida passada”.
Confesso que fiquei assustado,
e lhe perguntei: mas isso são horas?
Respondeu-me: “Desculpe-me,
mas senti tanto sua falta.
voltei determinada a lhe reconquistar.”

Apesar de contrariado,
percebi naquela visita inoportuna,
o momento apropriado,
a chance de colocar um ponto final,
naquela estória que só me fizera mal.
Resolvi conversar.
Mas não dei muita folga:
apenas pela fresta da porta, permiti-lhe falar.
Senti imediata aversão, e me perguntei:
Como pôde, durante tanto tempo, me enganar?
Estava tão feia, muito mais do que  no passado,
quando muitos já haviam me alertado,
mas inebriado pelo pecado,
recusava-me acreditar.
Não escondi meu desprezo ao lhe perguntar:
O que, depois de tanto tempo, teríamos pra conversar? 
Com a cara mais cínica do mundo,
Aquela indesejável disse que queria voltar.
Respondi-lhe, com firmeza: Sem chance!
Não vou mais me ludibriar!
Quase me destruiu:
distanciou-me dos meus amigos (dos melhores);
apresentou-me a outros (aos piores),
largou-me à própria sorte,
deixando-me à beira da morte.
Você não tem nada  de bom a me oferecer!
Não se intimidou, aquela impertinente.
Respondeu-me, de pronto, agora tudo será diferente:
Vou lhe permitir que tenha o controle,
Assim, será mais moderado.
Você não sabe? Muita coisa mudou,
até o conceito de pecado.
Tudo ficou mais fácil e divertido,
Na verdade, quase tudo é permitido.
Falava-me com voz maviosa,
Mas não conseguia me enganar,
Já tinha experimentado o quanto era perigosa.
Percebi, de imediato, a Antiga Serpente a falar.
Cruel, dissimulada, e venenosa.
Concluí que não tínhamos mais nada em comum.
Disse-lhe que iria fechar a porta, e trancar.
Ordenei-lhe que fosse embora para nunca mais voltar.
Disse-lhe que agora estava com um relacionamento muito sério,
Que a nada nesse mundo poderia se comparar.
Perguntou-me quem era.
Respondi-lhe: a criatura mais linda já criada.
Estou completamente comprometido com ela,
a Nova Vida que me foi dada!
Não me pareceu muito convencida.
Estava visivelmente contrariada.
Porém, não tinha opção:
Afastou-se, lentamente, na penumbra da noite.
Acompanhei-a só com o olhar, sem hesitação.
Até não mais a enxergar.
Lá de dentro do peito saiu-me um grito de vitória.
Sentia-me livre para adorar.
A ti ó Deus, seja toda a Glória!
sou uma Nova Criatura,
Obrigado Senhor, por me transformar!

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